Os cuidados principais são quatro: proteger a área do sol direto, não coçar nem arrancar a casquinha que se forma, manter a região limpa e seca conforme a orientação recebida no atendimento e não aplicar nada por conta própria sobre a pele tratada. Vale também avisar a profissional se algo fugir do esperado. O tempo de cada etapa varia conforme a pele, o pigmento e a área tratada.
Você saiu da sessão com a sobrancelha vermelha, um pouco inchada, e com uma lista de orientações que talvez já tenha se embaralhado na cabeça no caminho de volta. É normal, e é justamente nos primeiros dias que a maioria das dúvidas aparece, quase sempre no formato "será que pode?".
Abaixo estão os cuidados que costumam ser orientados depois de uma sessão, organizados por assunto: sol, casquinha, higiene, o que sai da rotina por alguns dias e o que não deve ser aplicado na região. No fim, os sinais que deixam de ser esperados e pedem avaliação de um médico.
Sol fora da região tratada, inclusive em dia nublado
Esse é o cuidado que mais influencia o andamento do processo. A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que, durante o tratamento com laser, a fotoproteção é indispensável. A pele que acabou de receber energia está sensibilizada, e a exposição ao sol nessa fase é um convite a alterações de cor na área.
As recomendações gerais de proteção solar do Ministério da Saúde servem de base: evitar a exposição principalmente entre 10h e 16h, quando os raios são mais intensos, usar filtro solar com FPS 15 ou mais quando a exposição for inevitável, reaplicar a cada duas horas e recorrer a barreiras físicas como chapéu de abas largas, óculos com proteção ultravioleta e roupas que cubram o corpo. Em dias nublados a proteção continua necessária.
O que muda no pós-laser é a ordem prática: enquanto a área estiver com casquinha, a barreira física e a sombra costumam vir antes de qualquer produto sobre a região, e o que pode ser aplicado ali é definido no atendimento.
A casquinha não se mexe, nem com a unha nem com a toalha
Nos dias seguintes à sessão é comum a área formar uma casquinha escura sobre o desenho. Ela incomoda visualmente e costuma coçar, e a tentação de "ajudar" puxando um pedacinho é a causa mais frequente de problema evitável nessa fase.
Arrancar a casquinha antes da hora interrompe a cicatrização daquele ponto e aumenta o risco de marca residual na pele. O mesmo vale para o atrito distraído: esfregar a toalha no rosto, dormir com o rosto afundado no travesseiro, coçar a sobrancelha enquanto assiste televisão.
A saída prática é secar o rosto com toques leves em vez de esfregar, manter as mãos longe da região e resistir ao espelho de aumento. Quando a casquinha estiver pronta, ela sai sozinha. Se cair antes por acidente, não force o que ficou e observe como a pele se comporta nas horas seguintes.
Área limpa e seca, do jeito que foi orientado no atendimento
Higiene aqui não significa esfregar. Significa manter a região livre de sujidade e de umidade acumulada, com toque leve, sem esponja, sem escova e sem produto abrasivo. A pele da sobrancelha é fina e acabou de passar por um estímulo intenso.
A orientação específica de como lavar, com que frequência e com qual produto faz parte do que você recebe presencialmente, porque depende de como a sua pele reagiu naquela sessão, do tamanho da área tratada e do seu histórico. Não existe protocolo único que sirva para todas as peles, e seguir vídeo de internet costuma dar mais trabalho do que resolver.
Umidade prolongada na região atrapalha. Por isso banho muito quente e demorado, vapor no rosto e secador apontado para a área costumam sair da rotina por alguns dias, junto com tudo que deixe a sobrancelha molhada por muito tempo.
Nada de receita caseira sobre a pele tratada
A lista de simpatias que circula é longa: gelo direto na pele, manteiga, pasta de dente, pó de café. Dermatologistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia desaconselham exatamente esses recursos populares quando a pele sofre uma agressão térmica, e o raciocínio vale igual aqui.
Vale lembrar também de uma regra sanitária que protege você: a Anvisa proíbe que profissionais de serviços de pigmentação da pele prescrevam ou administrem qualquer medicamento, em qualquer via. Ou seja, se a situação pedir medicação, quem avalia e orienta é um profissional de saúde habilitado, em consulta.
A conduta segura é não improvisar. Se a área estiver muito incomodada, o caminho é avisar quem fez o procedimento e, diante de sinal de complicação, procurar avaliação médica, em vez de testar alguma coisa em casa e mascarar o que está acontecendo.
O que costuma sair da rotina por alguns dias
Maquiagem sobre a área tratada, cosmético com ácido ou com ação esfoliante na região, piscina, mar, sauna, banho de banheira e atividade que gere suor intenso costumam ser adiados até a pele estar cicatrizada. Não porque sejam proibidos para sempre, mas porque cada um deles coloca produto, micro-organismo ou umidade sobre uma pele que ainda está se refazendo.
Design de sobrancelha, epilação, henna e qualquer nova aplicação de pigmento na mesma região também ficam para depois. A área precisa estar íntegra antes de receber outro procedimento, e isso é conferido olhando a pele.
Por quanto tempo? Depende do pigmento, da profundidade em que ele foi aplicado, do tempo desde a aplicação, do seu tipo de pele e do histórico de procedimentos anteriores. Em remoção de micropigmentação a laser, esse prazo sai da avaliação individual presencial e da leitura de como a sua pele respondeu à sessão anterior.
O que avisar e quando procurar avaliação médica
Vermelhidão, inchaço leve, sensibilidade ao toque e formação de casquinha fazem parte do que costuma acontecer nos primeiros dias. O que pede atenção é a mudança de rumo: dor que aumenta em vez de diminuir, vermelhidão que se espalha para além da área tratada, calor local crescente, secreção com aspecto de pus, mau cheiro ou febre.
Nesses casos a orientação é procurar avaliação médica. A própria Anvisa determina que serviços de pigmentação da pele mantenham protocolo de encaminhamento para atendimento de saúde diante de reação alérgica, infecção ou acidente, e esse encaminhamento existe porque quem diagnostica e trata é profissional de saúde.
Avisar também quem realizou a sessão continua importante, porque a intercorrência precisa ser registrada e considerada no planejamento seguinte. Outras dúvidas sobre o acompanhamento estão reunidas nas perguntas frequentes do site.
Cuidados que costumam ser orientados
- Proteger a região do sol direto, com barreira física e sombra, inclusive em dia nublado
- Não coçar, não esfregar e não arrancar a casquinha que se formar sobre o desenho
- Manter a área limpa e seca, com toque leve, conforme a orientação recebida no atendimento
- Não aplicar nenhum produto por conta própria sobre a pele tratada
- Adiar maquiagem na região, piscina, mar, sauna e suor intenso até a pele estar cicatrizada
- Avisar a profissional se algo fugir do esperado e procurar avaliação médica diante de sinal de infecção
Perguntas frequentes
Posso lavar o rosto normalmente no dia da sessão? +
A higiene do rosto continua, mas com toque leve na região tratada, sem esfregar, sem esponja e sem produto abrasivo. A forma exata de lavar, a frequência e o que pode encostar na área fazem parte da orientação que você recebe no atendimento, porque muda conforme a resposta da sua pele naquela sessão.
Quando posso voltar a maquiar a sobrancelha? +
Depois que a pele estiver cicatrizada, o que não tem prazo igual para todo mundo. Enquanto houver casquinha ou área sensível, maquiagem sobre o local coloca produto em pele que ainda está se refazendo. A liberação vem de quem está acompanhando o caso e olhando a região de perto.
Posso treinar, ir à piscina ou ao mar depois da sessão? +
Suor intenso, água de piscina e água do mar costumam ser adiados até a cicatrização da área. O motivo é a combinação de umidade prolongada e contato com micro-organismos sobre uma pele que perdeu parte da sua barreira. Quando retomar é definido caso a caso, olhando como a região está.
Dá para passar protetor solar em cima da casquinha? +
Isso depende de como a área está, e é uma orientação individual. Enquanto a resposta não vem, a proteção mais segura é a física: sombra, chapéu de abas largas, óculos com proteção ultravioleta e evitar a faixa entre 10h e 16h, que é quando a radiação é mais intensa.
A casquinha caiu antes do tempo. Perdi a sessão? +
Não é assim que funciona, mas vale observar. Se a casquinha saiu por atrito, o ponto pode demorar um pouco mais para fechar. Não force o que ficou, mantenha a área protegida do sol e avise quem acompanha o seu caso, que vai considerar isso no planejamento seguinte.
Fontes consultadas +
- Durante o tratamento com laser, o uso de protetores solares é indispensável; o laser age na tinta poupando o tecido ao redor: www.sbd.org.br/nao-transforme-sua-tatuagem-em-cicatriz/
- Evitar exposição solar entre 10h e 16h, usar filtro solar com FPS 15 ou mais, reaplicar a cada duas horas, usar óculos com proteção ultravioleta, roupas, chapéus de abas largas e guarda-sol; proteção também em dias nublados: www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele
- Dermatologistas desaconselham gelo, manteiga, pasta de dente e pó de café sobre pele agredida por calor: www.sbd.org.br/dermatologistas-esclarecem-os-cuidados-necessarios-para-evitar-qu
- Proibição de prescrição e administração de medicamentos por profissionais de serviços de pigmentação da pele; exigência de protocolo de encaminhamento a serviços de saúde em caso de reação alérgica, infecção ou acidente: www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/tatuag
